September 25, 2020

SEMANA CORPORATIVA: Andrea Lima (Analista Comercial)

A história da minha carreira no Canadá começa em 2016 quando cheguei nesse país gelado para morar de vez. 

Eu tinha visitado Vancouver por 40 dias no verão de 2012, justamente para melhorar minha carreira de Analista Comercial ao aprender um novo idioma. 


Ao chegar aqui em 2016, eu sabia que teria que dar dois passos para trás para que no futuro, pudesse dar três para frente. Ninguém conhecia meu trabalho, nem minha capacidade e meus diplomas do Brasil de duas reconhecidas universidades, não chamavam a atenção das empresas por aqui. 

Eu sou bacharel em matemática e pós graduada em gestão de negócios. Amo fazer análise numérica e lógica para qualquer tipo de business, mas sabia que teria que dar uma pausa ao recomeçar num país novo. 


Pois bem, para ajudar nas despesas do meu post degree diploma em Financial Planning na Douglas College eu decidi trabalhar como Sales Associate part time em uma loja de roupas no shopping Metrotown. Estudava full time e trabalhava o máximo permitido (20 horas semanais). Duas semanas após o meu início, meu shift veio com 28 horas de carga semanal e eu pedi para reduzirem, pois não queria prejudicar minha condição de visto de estudante. A gerente foi reduzindo minha carga progressivamente até chegar a 5 horas semanais. Fiquei lá por 5 meses. Eu sabia que seria um emprego temporário por não ser o que amo fazer, apesar de fazer bem, mas tmb por não mais valer a pena financeiramente.


Uma amiga (que conheci na loja) me indicou para uma vaga de Purchase Coordinator numa empresa de uniformes. Comecei lá no verão de 2017, enquanto estava de férias da Douglas, pois eu poderia trabalhar full time nesse período. Quando as aulas voltassem eu só poderia trabalhar as tais 20 horas semanais e tudo ficou acordado no momento da entrevista e contratação. No entanto, muita coisa irregular aconteceu em duas semanas e eu pedi demissão. 

Uma outra amiga me indicou para uma vaga de hostess part time em um restaurante na Robson e lá eu fiquei por 6 meses até terminar a Douglas e poder trabalhar full time em um emprego que eu pudesse aplicar melhor os meus conhecimentos. 


Aqui minha saga começa. Estamos em 2018 e eu queria entrar para a área de investimentos, queria exercer o que tinha aprendido na Douglas, achava que tudo que eu tinha conquistado no Brasil deveria ficar no passado e que somente seria aceita num emprego que eu almejava se fosse relacionado com a Douglas e o Canada. O fato era que eu estava completamente enganada, mas continuemos...


Num período de 3 meses eu apliquei para dezenas, talvez centenas, de vagas de Customer Representative, Administrative Assistant, Portfolio Assistant, qualquer vaga que fosse associada à Douglas e/ou dentro do Noc B para obter o visto de trabalho. Contratei uma head hunter que me deu muitas dicas e melhorou meu resume. Participei de diversas entrevistas, algumas delas em empresas mto boas com entrevistadores super gentis que me deram feedback (outras que fizeram eu me sentir o cocô do cavalo do bandido) mas não era contratada em nenhuma (o famoso overqualified que me desanimava muito pq vagas mais altas nem sequer me ligavam). 


Até que faltando 10 dias para meu visto vencer, o desespero batendo, uma anja me contratou como Bookkeeper numa empresa de Catering para eventos. A vaga foi criada quando ela soube do meu caso através do meu marido, ela já tinha uma outra bookkeeper por anos e anos e acredito que não precisasse de mais uma. 

Não sei no que vc acredita, mas eu sei que aqui foi um dos momentos em que Deus agiu na minha vida. Eu sou extremamente grata à essa mulher e pela oportunidade que ela me deu no momento em que eu mais precisei. 


Foi uma ajuda mútua, eu conhecia muito pouco de accounting e me dediquei para fazer o melhor pela empresa dela. Nos finais de semana ajudava na cozinha e nos eventos, e obviamente aceitei um salário baixo para bookkeeper, pois naquele momento o que mais importava era o visto. Nosso primeiro acordo era que eu ficasse lá por um ano, mas depois de um tempo ela deixou aberto para que eu continuasse por tempo indeterminado. 


Ao completar um ano, voltei a aplicar para as vagas que faziam o meu perfil, outra lista incansável de entrevistas sem sucesso. Eu estava mto desanimada com a minha carreira naquele momento. Foram anos de dedicação entre Brasil e Canadá, um esforço tremendo para conseguir vistos e dinheiro curto. Me sentia uma incapaz de tudo, duvidei de mim, não me valorizava e sentia que a minha sina era aceitar que o eu tinha naquele momento era o máximo que eu conseguiria aqui no Canadá. 


Até que com a chegada do PR, as entrevistas começaram a tomar um outro rumo. Passei a aplicar para vagas de Pricing, fui percebendo que era isso que eu amava, análises, números, relatórios - e que a paixão pelo que se faz é o gás que vc precisa para performar nas entrevistas. Minha carreira de Analista comercial e meus diplomas do Brasil passaram a fazer mto sentido para os entrevistadores e fui progredindo nas fases do processo seletivo de 3 vagas simultaneamente. Até que em Agosto de 2019 comecei como Pricing Optimization Specialist na maior dealer mundial da Caterpillar. Agradeci imensamente a minha anja e pedi demissão do catering com o coração mto grato por toda a minha caminhada. 


Já faz um ano que estou como Pricing Specialist e simplesmente AMO demais o meu dia a dia de trabalho, meus co-workers são adoráveis e tenho um manager que é a definição pura de um bom líder. Tudo isso me faz crer que carreira é um belo conjunto de paixão pelas tarefas que faz, um bom ambiente de trabalho e a perspectiva de progresso. Essa poção mágica de 3 ingredientes é o que faz um employee feliz profissionalmente. 


Hoje sei que existe uma grande diferença entre trabalho e carreira. Eu tive empregos que obviamente me geraram aprendizado e valores, dos quais tenho muito orgulho mesmo que não tenham aprimorado meu currículo e tenham sido por um curto tempo, mas hoje eu estou muito feliz em dizer que retomei a minha carreira e que ainda tenho muitos objetivos para alcançar e um longo caminho ainda a percorrer. 


Já dizia Ayrton “Faça tudo com muito amor e muita dedicação que um dia você chega lá, de uma forma ou de outra, você chega lá”